quarta-feira, 5 de abril de 2017

A PROFECIA PORTUGUESA

Posted by Charles E. on quarta-feira, abril 05, 2017

Nos anos 60 do século vinte, durante umas obras numa mercearia na cidade de Évora, foi descoberto um manuscrito do século XVII,cujo autor parece ter sido um judeu ou cristão-novo português de apelido Oliveira.



Pouco mais se soube do manuscrito até à sua redescoberta pelo professor Bizarro, em 1982 nos arquivos da PIDE/DGS (policia politica). Constava nesses arquivos com o nome de Profecia Marcolina.

Segundo o professor Bizarro, o nome deveu-se «à dona da mercearia de Évora, onde o manuscrito foi encontrado».

Qual o interesse da policia politica (PIDE) num manuscrito do século XVII? «Simplesmente», esclarece o professor Bizarro, «porque o dito manuscrito seiscentista contém revelações sobre o fim do regime de Salazar, entre muitos outros assuntos relacionados quase todos exclusivamente com Portugal.»

Concretamente, o que diz a Profecia Marcolina? O professor Bizarro refere-nos, o mais sinteticamente possível, alguns pontos, ressalvando que o mau estado do manuscrito não permite que seja lido na sua totalidade.  Assim, o autor, o tal Oliveira, que se presume ser de Évora dado que foi nesta cidade que o manuscrito foi encontrado, diz (e usaremos português do nosso século):

Sobre 1640, o autor do manuscrito diz: «Antes do meio deste século maldito, ir-se-ão os Filipes de Espanha e ficará o João de Portugal.»
Sobre o terremoto de 1755 é dito: «A maldição do ouro esbanjado, do Brasil chegado, cairá sobre Lisboa no dia dos Santos,  pouco passará o século vindouro dos seus meados.»


O professor Bizarro interpreta isto como sendo uma referência ao uso que foi dado às riquezas do Brasil: «Portugal recebeu do Brasil mais ouro em poucas décadas que aquele que os espanhóis conseguiram sacar do resto das Américas em 200 anos. E toda essa riqueza acabou, como diz o profeta de Évora: “o ouro foi transformado em pedra e derretido em velas". Foi usado em monumentos, igrejas, palácios, etc, muito pouco para o desenvolvimento do país. O terremoto seria, pois, o castigo que Portugal merecia por ter desperdiçado tão grande oportunidade.»

Sobre o século 19, o profeta refere: «A tempestade francesa chegará, os reis fugirão, o povo sofrerá. Depois da tempestade, virá outra, irmão matará irmão. Do Brasil virá a paz, depois da guerra.»


«É uma clara referência às invasões francesas, a fuga da família real para o Brasil, a guerra civil, e ao regresso de D. Pedro, do Brasil.»,
diz o professor Bizarro.


Sobre o século XX, a Profecia Marcolina (ou Portuguesa, como prefere chamar-lhe o professor Bizarro), diz: «O rei morrerá e o caos chegará, bem cedo no vigésimo. Paz podre se seguirá, até à queda do último defensor do Império de Portugal, já os sessenta do vigésimo anunciam o fim do Império a meio dos setenta.»

 
Para o professor Bizarro, o autor do manuscrito considera Salazar como o ultimo defensor do Império português. «Aqui, talvez, a razão porque a PIDE quis apoderar-se do manuscrito. Note-se que foi lido pela primeira vez por volta de 1965-66, apesar da sua descoberta ser de 1963. Apesar de, obviamente, não ser levado a sério, parece que alguém viu nele aquilo que aparenta: a morte da Salazar (o ultimo defensor do Império), que caiu da cadeira em 1968 e morreria em 1970, e o fim do regime, referidos como o fim do Império, isto é, a descolonização. E, obviamente, o regime não queria que se falasse disso!»

Sobre o resto do século, o profeta apenas diz: «E ainda os 80 do vigésimo não terminaram e já Portugal perdeu a sua independência.»


«O autor do manuscrito parece considerar, que a entrada de Portugal na Comunidade Europeia, significa o fim da nossa independência como nação»,
diz o professor Bizarro.
Sobre o novo milénio, que nos diz a Profecia Marcolina ou Portuguesa?
«Dez anos a preparar, o caos que chegará; mal nascida estará, do milénio a segunda década, quando os moiros de África, em fúria entrarão. E a guerra chegará, e Portugal perecerá, ainda não terminada a maldita década. Quando a guerra se finar, nos 20 do milénio, outro mundo nascerá, já sem memória das glórias, nem do que foi Portugal.»

 Para o professor Bizarro, nesta segunda década do novo milénio, «uma guerra rebentará muito próximo de nós, começará no Norte de África e chegará a Portugal. Quando esse conflito terminar, Portugal já não existirá como nação. Será uma guerra longa e de tal modo destruidora, que poucos se lembrarão, depois, que existiu um país chamado Portugal.»


Várias perguntas  impõem-se fazer ao professor Bizarro: Onde está o manuscrito, e porque é que só agora o professor fala desta Profecia Marcolina, como a arquivou a PIDE/DGS?

«Tenho 89 anos e estou muito doente. Simplesmente roubei o manuscrito dos arquivos da PIDE e não queria arruinar a minha reputação com semelhante mesquinhez. Mais: quem levaria a sério semelhante documento? Que seria da minha carreira, respeitável academico, se me pusesse, há 30 anos atrás, a falar de profecias? Agora já não me faz a mínima diferença; morrerei mais dia menos dia. A Profecia Portuguesa, como prefiro chamá-la, tornar-se-á completamente pública com a minha morte. Assim como a análise que a acompanha. Mas só depois da minha morte!»

Numa altura em que tanto se fala de profecias e do fim do mundo, parece-nos oportuno falar deste documento português do século XVII, que parece ter previsto muito do que se passou em Portugal desde essa altura.

Lembramos que a existência deste documento é conhecida desde a sua descoberta, e ao contrário do que refere o professor Bizarro, são várias as pessoas que possuem cópias, não do dito manuscrito seiscentista, mas da transcrição que existiu nos arquivos da PIDE/DGS e foi enviada a várias personalidades importantes do regime salazarista. Temos conhecimento de pelo menos três, duas delas no Brasil, levadas por pessoas obrigadas a fugir de Portugal depois do 25 de Abril,e uma em Portugal, na posse de um velho sacerdote e que certamente acabará nos arquivos da Igreja.

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