quarta-feira, 5 de abril de 2017

CIENTISTAS ENCONTRAM EVIDÊNCIAS DA SEPARAÇÃO DA GRÃ-BRETANHA (com fotos)

Pesquisadores revelaram à revista Nature Communications ter descoberto evidências de como a antiga Grã-Bretanha se separou da Europa continental, o que aconteceu em duas etapas. (Veja as fotos)


Há cerca de 450.000 anos atrás, a Terra estava sob a influência de uma era glacial, e o gelo estendia-se através do Mar do Norte, da Grã-Bretanha à Escandinávia. O baixo nível do mar significava que todo o Canal da Mancha era terra seca, uma paisagem de tundra congelada, atravessada por pequenos rios.

A separação da Grã-Bretanha da Europa continental é o resultado do derramamento de um lago pré-glacial - um tipo de lago formado em frente a uma camada de gelo - no Mar do Norte, mas isso não tinha sido comprovado. Agora, pesquisadores do Imperial College de Londres, e colegas seus de institutos na Europa, mostram que a abertura do Estreito de Dover no Canal da Mancha ocorreu em dois episódios, onde um derramamento inicial do lago foi seguido por enchentes catastróficas.





Uma ilustração do que pode ter sido a ponte de terra que conectava a Grã-Bretanha à Europa antes da formação do Estreito de Dover. O primeiro plano é em redor de onde é hoje o porto de Calais. Grandes quedas de água sobre a ponte de terra representa o início da separação física da Grã-Bretanha da Europa continental.



Há dez anos, os pesquisadores do Imperial College de Londres revelaram evidências geofísicas de vales gigantes no fundo do mar, na parte central do Canal da Mancha. Acreditavam que essas redes de vales eram evidências de um mega fluxo ter "arrancado" terra, e especularam que podia ter sido causado por uma ruptura catastrófica numa crista de rocha de giz, unindo a Grã-Bretanha e a França.

O novo estudo da equipa, juntamente com os seus colegas na Europa continental, mostra pela primeira vez os detalhes de como esta crista de giz no Estreito de Dover, entre Dover e Calais, foi violada. Novos dados geofísicos recolhidos por colegas da Bélgica e da França, foram combinados com dados do fundo marinho do lado do Reino Unido, mostrando evidências de enormes buracos e um sistema de vale localizado no fundo do mar.





Mapa do estreito de Dover, e que mostra o vale proeminente erodido através do centro do estreito. Observe o cume de pedra feito de giz no sul da Grã-Bretanha e norte de França e que estaria ligado através do Estreito antes da separação.



A equipa demonstra que o cume agiu como uma barragem enorme e atrás dele havia um lago proglacial. Este lago foi a primeira hipótese dos cientistas há mais de 100 anos e os autores do estudo de hoje mostram como o lago transbordou em cascatas gigantes, erodindo a escarpa, enfraquecendo-a e eventualmente fazendo com que cedesse e liberasse enormes volumes de água para o fundo do vale.

A equipa acredita que os grandes buracos que analisaram no fundo do mar são piscinas, criadas quando a água que caia em cascata sobre uma escarpa atingiu o solo e erodiu a rocha. As piscinas no Estreito de Dover são enormes - até vários quilômetros de diâmetro e cerca de 100 metros de profundidade e foram perfurados em rocha sólida. Existem cerca de sete piscinas numa linha a partir dos portos de Calais para Dover. Os pesquisadores sugerem que essas piscinas são prova de um excesso de água do lago no sul do Mar do Norte.




Vista em 3-D e em perspectiva do Estreito de Dover, mostrando o vale proeminente na parte central do Estreito e a escarpa de giz no sul da Grã-Bretanha e que teria ligado ao noroeste da França antes da separação do Estreito. O Estreito tem ~ 33 km de largura.

 

A linha reta dos buracos revelado pelas fotografias sugere que estes estavam em cascata numa crista e numa única pedra de talvez 32 km de comprimento e 100 metros de altura, e que seria a ponte terrestre entre a Europa e o Reino Unido.
Os pesquisadores também encontraram evidências de que um segundo evento abriu completamente o Estreito de Dover. Mais tarde, talvez centenas de milhares de anos mais tarde, um novo sistema de vale, o Canal Lobourg, foi esculpido por processos de enormes massas de água que atravessaram o Estreito de Dover. Os pesquisadores demonstram que este sistema de vale está ligado à rede do vale gigante no canal central de Inglaterra. Eles sugerem que um derramamento de outros lagos menores à frente dos lençóis de gelo do Mar do Norte pode ter sido responsável pelo episódio posterior de erosão de inundação.

Levou dez anos, mas juntando todas as peças do quebra-cabeça geológico, a equipa diz que está mais confiante sobre o que pode ter causado a enorme massa de água  no Canal Inglês à milhares de anos. atrás.

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