quarta-feira, 19 de abril de 2017

CIENTISTAS DESCOBREM NOVA SUPER TERRA QUE PODE SER HABITÁVEL

Um grupo internacional de investigadores descobriu um novo exoplaneta que revelou ser um dos melhores candidatos até hoje conhecidos para aí se procurarem sinais vida e para o estudo a sua atmosfera.


Trata-se de uma "super Terra", um planeta de tipo rochoso, que é 1,4 vezes maior do que a Terra e que orbita uma estrela anã vermelha a 39 anos-luz daqui. A conjunção destas características torna-o um verdadeiro achado.


Ele tem não só as condições certas para poder ter água líquida na superfície, uma vez que está na chamada "zona habitável" em relação à sua estrela, como está a uma distância relativamente próxima da Terra, ou seja, na localização ideal para poder ser estudado em mais detalhe, o que geralmente não acontece com os exoplanetas em sistemas solares mais distantes.





 

"Este é provavelmente o melhor candidato identificado até agora para se fazer nos próximos anos um estudo mais detalhado sobre a sua atmosfera, se ele de facto tiver uma atmosfera, e para mais tarde aí se procurarem as assinaturas químicas da vida, quando dispusermos das tecnologias para isso", explica Nuno Santos, cientista que faz parte do projecto.


Por isso, diz o cientista do IA, "esta é uma descoberta importante, porque estamos a falar de um planeta que à partida é rochoso, que está à distância certa da estrela para ter água líquida, embora ainda não saibamos se tem ou não, e que está relativamente perto daqui, o que nos vai permitir estudá-lo em detalhe durante os próximos 10 anos, usando o bom conjunto de instrumentos de observação que estão aí a chegar, e nos quais também estamos envolvidos".







Um desses instrumentos é o Espresso, um espectrógrafo de alta resolução em cuja construção o IA participa e que vai equipar já no próximo ano o Very Large Telescope do ESO (European Southern Observatory), no Chile, para medir com uma precisão sem precedentes as massas dos exoplanetas e melhorar o estudo das suas atmosferas. Outro é o satélite CHEOPS, da agência espacial europeia ESA, para o qual os investigadores do IA estão a desenvolver uma parte do software de análise de dados e que além de detetar exoplanetas vai medir também as suas massas. O CHEOPS tem lançamento aprazado para 2019.


Um terceiro instrumento é o satélite Plato, da ESA, que deverá ser lançado em 2024 e que vai dedicar-se à procura de exoplanetas rochosos como a Terra e na zona "certa" em relação às respectivas estrelas para terem condições de habitabilidade. A equipa do IA tem um investigador no comissão do consórcio e também no grupo que está a delinear as tarefas científicas do futuro satélite.






Todos eles vão permitir conhecer muito melhor a nova super Terra agora descoberta, para além do que já se sabe sobre ela. No estudo que hoje publica na revista Nature, a equipa explica que o exoplaneta está 10 vezes mais próximo da sua estrela do que a Terra em relação ao Sol, completando uma órbita a cada 25 dias. Esta proximidade implica que o exoplaneta está na zona dita temperada, uma vez que esta estrela, sendo uma anã vermelha, é muito mais fria do que o Sol.


Menos de uma vez e meia maior do que a Terra, o novo planeta tem no entanto 6,6 vezes mais massa, o que indica que será rochoso, com um denso núcleo de ferro. O seu diâmetro, explicam os cientistas, indica que que há milhões de anos pode ter existido ali um oceano de magma escaldante, libertando vapor de água para a atmosfera durante tempo suficiente para ela lá permanecer e depois passar ao estado líquido, depois de o planeta arrefecer.

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