quarta-feira, 28 de março de 2018

INVESTIGADORES DESCOBREM "MUNDO AQUÁTICO" EM UM EXO-PLANETA (com fotos)


Investigadores conseguiram determinar a massa de planeta fora do Sistema Solar que pode ter entre 9% a 50% de água





Uma equipa internacional liderada pelo Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) conseguiu determinar com precisão a massa de dois planetas fora do Sistema Solar, concluindo que um deles contém entre 9% a 50% de água, tratando-se de um "mundo aquático".


Segundo uma nota informativa do IA (http://www.iastro.pt/news/news.html?ID=84), a equipa determinou a massa de dois planetas que giram à volta da estrela HD 106315, concluindo que o menor (HD 106315 b) tem uma massa 12,6 vezes maior que a da Terra, enquanto o maior (HD 106315 c) tem uma massa 15,2 vezes maior.


Os valores obtidos demonstram que "o planeta 'b' "tem um espesso envelope de hidrogénio-hélio, mas investigação detalhada ao planeta "b", recorrendo a modelos de interiores planetários, indicam até 50% de material rochoso, e entre 9 e 50% de água, ou seja, este é um mundo aquático", refere o comunicado.



 Relação massa-raio para diferentes composições de pequenos planetas. Crédito: Barros et. al, 2017



Estas conclusões foram conseguidas através de dados provenientes de um programa de observação com o espetrógrafo (instrumento que decompõe a luz nas suas várias cores) HARPS, do Observatório Europeu do Sul (ESO).


A equipa verificou igualmente que o planeta HD 106315 b tem um período de 9,5 dias e um diâmetro 2,44 vezes maior que o da Terra, enquanto o HD 106315 c tem um período de 21 dias e um diâmetro 4,35 vezes maior.


De acordo com o IA, para verificar algumas características do planeta (se é gasoso ou rochoso, ou se tem atmosfera), os investigadores precisam de saber a sua massa, informação obtida a partir do método das velocidades radiais.


Esse método, continua a nota informativa, deteta exoplanetas medindo pequenas variações na velocidade (radial) da estrela, originadas pelo movimento que a órbita desses planetas imprime na estrela.



Curva de luz da estrela HD 106315, com o trânsito do planeta "b" (topo) e "c" (fundo). Crédito: Barros et. al, 2017



Os dois métodos em conjunto permitem determinar massa real dos planetas, o que foi conseguido neste estudo, que deu origem ao artigo "Precise masses for the transiting planetary system HD 106315 with HARPS", publicado na revista científica Astronomy & Astrophysics.


Segundo refere um dos investigadores: "Como a estrela que estes [planetas] transitam é bastante brilhante, será ainda possível estudar as suas atmosferas. Com instrumentação atual é possível observar a atmosfera do planeta c, mas para o planeta b será necessário esperar por instrumentos como o Telescópio Espacial James Webb (JWST), que será lançado em 2019".


Estudar atmosferas com instrumentos como o JWST, da NASA, ou o Extremely Large Telescope (ELT), do ESO, irá permitir uma melhor compreensão acerca da composição do HD 106315 b, já que o planeta está no limite entre os planetas rochosos e os planetas gasosos, acrescenta o comunicado.

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